Meus segredos, que são segredos...
Escondo até de mim mesmo.
Quase tudo nessa vida é efêmero
É de um gênero
Que não tem importância
É passageiro... Poder, dinheiro
E tudo que é fruto de tanta ganância.
Todo mundo um dia encontra a morte...
Feliz, com sorte
Ou então indiferente
Toda alegria ou sofrimento
Tem seu momento
De chegar e deixar a gente.
Eu não sei porque essa gente se debate
Como um peixe agonizante fora d'água
Pois na água sabe que não vai ficar
O mundo gira sempre ignorando
Os desejos de quem vive nesse lugar
Continua e segue então girando
No espaço navegando
Até um dia acabar
Não somos nem um grão de poeira
Na esteira do universo
Ou na rima desses versos
Que logo irão se acabar
Eu acho graça do poder
E dos poderosos,
Habitantes melindrosos
Desse circo de ilusões
E acho até graça de mim mesmo
Esse resto de torresmo
Que o garçom joga no lixo...
Menestrel da crítica sem alcance
Tem quem olhe, de relance
Sem querer se aprofundar...
A Rapunzel careca delirante
Escondida numa estante
Esperando tudo acabar.