Nem todo poema é de amor,
Entretanto,
Os poemas de amor são maioria.
Nem sempre falam da dor,
Entretanto,
A dor seduz mais que a alegria.
Nem todo poema é de amor,
Entretanto,
Os poemas de amor são maioria.
Nem sempre falam da dor,
Entretanto,
A dor seduz mais que a alegria.
Frases de efeito
Tem um defeito
Prescindem contexto
E como um cabresto
Que é preso no vento
Duram só o momento
Que encantam o ouvinte
Que no dia seguinte
Já tem pouca lembrança
Do amor, ou da esperança
Que eram o significado
E talvez tenham ficado
Numa alegoria pitoresca
E talvez a frase de efeito
Fuja da sua cabeça.
Na velocidade em que andamos
Em qualquer idade já não faz diferença
A sinceridade com a qual nos indignamos
É realidade pra qualquer desavença.
Sempre os mesmos tolos permanecem na briga
Fecham sempre os olhos para a incoerência
Tem por alimento a cizânia e a intriga
Vivem uma ideologia como uma doença.
Tem propriedade rasa e rasteira
E de tudo saem a falar besteira
Sempre com suas certezas na sua demência
Bradam a todo tempo viva a ciência !
Na contradição, distorcem o contexto
É a ocasião que desdobra o argumento
Todos são recortes de um mesmo freixo
Nesse lodaçal sempre tão nojento.
Mas o calendário sempre indiferente
Vai passando os dias compassadamente
E toda essa empáfia e afetação
Vai descer a terra em putrefação
E de repente está tudo diferente
E da minha vontade, independente
A vida tomou outro rumo, outro prumo...
Assim, sem avisar nada... tomou outra visada.
Como se eu tivesse duas vidas, repartidas
Uma antes... que parecia comprida, mas foi interrompida
Dividida, nessa de agora
Onde tudo é novidade
Onde visita a saudade,
Onde se escuta a idade,
A realidade e a falta de sonho.
E de repente, tenho mais aniversários
Do que terei pela frente
Vejo tudo lentamente
Sem a pressa de quem não tem tempo.
Passou o barulho,
Passou a agitação,
E vazio de entulhos
Segue o coração...
Sem pisar em pedregulhos
Sem alimentar ilusão.