quinta-feira, janeiro 11, 2007

Seres a parte

Antes eram só os juízes. Agora, os deputados federais e demais políticos do legislativo estão achando que são seres especiais com direitos especiais e que todos devem achar que isso é a coisa mais normal do mundo, e que não existe nada errado em reajustar os próprios salários sem prestar satisfações a mais ninguém. Todos os demais trabalhadores brasileiros precisam negociar com seu patrão e lutar por salários e até pela manutenção dos empregos... Mas deputados e juízes não !... para começar ter o povo como patrão é algo tão abstrato que significa que você não tem patrão nenhum. Assim, e com os inúmeros exemplos de canalhice e pouca vergonha completamente impunes, todos sentem-se mais a vontade para auto conceder um reajuste de 90 % aos próprios salários chegando ao absurdo de querer ganhar 25 mil reais num país onde o salário mínimo não passa de 400 ! Ou seja,
um deputado brasileiro acha que deve ganhar cerca de 65 vezes o valor do salário mínimo. Isso sem falar nas mordomias como auxílio moradia, auxílio paletó, verba de gabinete, etc, que elevam o custo de um deputado federal para quase 80 mil reais por mês. Isso sem considerar os décimo-terceiros, décimo-quarto e décimo quinto-salários que eles recebem. Ser eleito deputado virou uma forma de ficar rico no Brasil.

A situação fica pior quando os aspirantes a sangue-suga que tramitam nos legislativos inferiores se ouriçam sentindo o cheiro do dinheiro. São vorazes iguais a tubarões sentido o cheiro de sangue, e apressadamente aprovam leis reajustando os próprios salários com base em seu exemplo maior vindo do congresso nacional. Querem também mais, mais e mais. Os políticos estão virando uma espécie de praga com apetite incontido que cada vez mais sugam recursos do Brasil.

E o país não cresce, e os impostos são cada vez mais pesados para sustentar essa malta. E entramos numa roda viva onde todos querem tirar seu pedaço do bolo, onde o objetivo maior e se dar bem em cima dos recursos públicos. Onde cada vez mais aparecem motivos e justificativas para anestesiar a consciência de quem rouba. Onde roubar recursos públicos passa a não ser crime e sim uma necessidade imposta pelo ambiente !

Até quando isso vai ? não sei. Em outros países, em outros contextos, já teríamos motivos para uma revolução, ou uma convulsão social. Mas estamos no Brasil. Um país onde as coisas de maneira geral se resolvem sem grandes convulsões sociais. Onde as coisas se ajeitam, onde é preferível deixar pra lá, onde não existe espírito de coletividade, e nem consciência do que é sociedade. Onde quando a farinha é pouca o meu pirão vem primeiro.

Enfim, não é que os deputados se achem seres a parte. Eles não o são. Eles acham que são nós mesmos, que na primeira oportunidade de se dar bem, tem que se dar bem mesmo. E se dar bem na acepção negativa do termo, na filosofia da lei de gerson, no domínio do "eu não sabia". É assim que são eles... um brasileiro sem consciência e sem escrúpulo, e agora, sem nenhuma força moral, política ou de qualquer natureza que lhes cause constrangimento ou que possa lhes impedir de cometerem tantos absurdos. Pois é da fraqueza moral coletivas que os canalhas aurem suas forças.

Até quando ? quem sabe dizer ?

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