sexta-feira, setembro 25, 2015

A taça

Eu tinha uma taça cristalina
Ficava no centro da casa
Linda menina.

Mas eu fui descuidado
Pura rotina.

Não percebi o perigo que andava
Pela surdina.

E a taça levou uma pancada
Tombou quebrada.

Era tão apegado
Que achava que um remendado
Poderia consertar.

Ah !  mas quando se é desajeitado
Há sempre um preço a pagar.

Nem o esforço mais perfeito
Fará eu esquecer o jeito
Que tudo tinha antes de quebrar.

E a taça assim remendada
Não pode ser mais usada
Como era antes de quebrar.

Pois sempre ficará a lembrança
E também a desconfiança
De que o remendo...
Não irá funcionar.

quinta-feira, setembro 24, 2015

A gente confia

Não podemos controlar o sentimento de ninguém...
A gente confia e caminha junto
Não temos garantias que vá da certo ou que vá durar.
A gente confia e se entrega.

E a vida avança...
E se edifica uma relação...
Em cada tijolo
Vai um tanto de entrega
Um bocado de renúncia
Mas a gente confia e constrói.

E a gente tanto confia
Que nem desconfia
Que possa chegar o dia
Da tempestade e do furacão.

E você assiste impotente
O fim de anos de repente
E descobre que confiou em vão.

Dói ver as paredes caindo
O teto ruindo
É seu mundo sem chão.

É ferro em brasa atravessando o peito
É não saber direito controlar a respiração.

E a gente confia
que quem sabe um dia
Toda essa agonia
Seja apagada da memória
Seja removida da história
Aliviando o coração...

Mas então sendo sincero
Mesmo sendo assim que quero
Nisso...
Não confio não.