Tristeza, tristeza mesmo... é discreta. Chega sem fazer alardes, senta
no canto, fica na dela... não força a presença... Bem diferente da
raiva... que chega chamando atenção e fazendo barulho.
Não... a
triteza é silenciosa, tranquila mesmo. Senta do nosso lado... ombro a
ombro e se faz companheira. É tão compreensiva que nos deixa respirar,
trabalhar e viver... fica assim a uma curta distância para não perturbar
a nossa funcionalidade social.
Mas a noite... quando todos os
ruídos cessam e todas as distrações vão embora... a triteza nos abraça
com a força de uma paixão, paralizando os pensamentos e retardando as
batidas do coração... Que bate assim quase falhando...
É assim a
tristeza... Um dia ela vem... fica sei lá quanto tempo... e enquanto não
acaba o infinito de sua duração vamos nos acostumando a viver com ela.
sábado, dezembro 12, 2015
domingo, dezembro 06, 2015
Lá no canto da parede
Lá onde o canto da
parede encontra o teto
meu olhar se perdeu
nos traços do arquiteto
que nem pensava em
me distrair
quando um dia,
buscando beleza e harmonia
concebeu esse espaço
que estou a usufruir.
Mas lá no canto da
parede com o teto
meu pensamento fugiu
pra bem perto
de onde pudesse
escutar minha respiração
Ficou espreitando
para ver se eu o perseguiria
meio indeciso sem
saber se fugiria
ou se voltaria de
vez pelos meus olhos vazios…
Fiquei assim, preso
e perdido
triste e desiludido
com o que vi, com o que escutei.
E as linhas assim
tão retas
eram testemunhas
discretas do meu ciclo que encerrei.
E assim, sozinho,
olhando para aquele cantinho
em solidão eu
mergulhei.
Ninguém para
escutar minha voz
Ninguém para
refletir meus pensamentos…
E num espécie de
oração
eu abri meu coração
para a inerte
alvenaria
Lá em cima… lá
no canto
ficou todo o
desencanto
ficou toda a minha
agonia.
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