Lá onde o canto da
parede encontra o teto
meu olhar se perdeu
nos traços do arquiteto
que nem pensava em
me distrair
quando um dia,
buscando beleza e harmonia
concebeu esse espaço
que estou a usufruir.
Mas lá no canto da
parede com o teto
meu pensamento fugiu
pra bem perto
de onde pudesse
escutar minha respiração
Ficou espreitando
para ver se eu o perseguiria
meio indeciso sem
saber se fugiria
ou se voltaria de
vez pelos meus olhos vazios…
Fiquei assim, preso
e perdido
triste e desiludido
com o que vi, com o que escutei.
E as linhas assim
tão retas
eram testemunhas
discretas do meu ciclo que encerrei.
E assim, sozinho,
olhando para aquele cantinho
em solidão eu
mergulhei.
Ninguém para
escutar minha voz
Ninguém para
refletir meus pensamentos…
E num espécie de
oração
eu abri meu coração
para a inerte
alvenaria
Lá em cima… lá
no canto
ficou todo o
desencanto
ficou toda a minha
agonia.

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