quarta-feira, outubro 19, 2016

Lívia faz dezoito

Amanhã, Lívia faz dezoito
e eu aqui afoito,
tentando perceber
como o tempo passou assim tão rápido.


Eu ainda lembro de vê-la enrolada em uma toalha
nesses pontos a memória não falha
Lívia nasceu à tarde do dia oito de outubro
E eu lembro de quase tudo...

Lembro quando conseguiu cambaleante
sair de um sofá e alcançar outro adiante
Quando nadou e andou de bicicleta
Lembro até, para a alegria do seu vôzão
No meio da sala, nas aulas de violão.

Ah... e nesse ponto em particular
O avô coruja hoje pode vê-la ensaiar
Os primeiros passos de sua linda vida futura
"minha neta Lívia Maria", repetia com fartura...

Lembro de quando cantava para ela dormir
e quando em uma música ou outra ela pedia para repetir
Lembro das imensas alegrias que sempre me deu com o estudo
e isso não é tudo, Lívia cresceu e se torna uma pessoa de bem.

Lembro de todos os aniversários,
Simples, com letras de papelão na parede
Com velas que giravam soltando faíscas a toda velocidade
Ah meu Deus ! esses eram momentos de pura felicidade.

E ela pode até pensar que eu esqueci
Mas lembro de cada segundo feliz
brincado com o tal cuxi cuxi
um boneco imaginário que fiz
com um pedaço de meia onde colocava a mão
e onde hoje eu coloco lembrança e emoção.

Grande amor de minha vida !
amanhã, Lívia querida...
faz dezoito
E eu aqui afoito,
querendo tudo dizer
querendo tudo escrever.

Parabéns meu amor !
você é um dos enormes presentes que Deus me deu
sei que a cada passo estreitamos os nossos laços
sei que nesse compasso a vida nos une
sei que um mundo imenso de oportunidades e realizações está a sua frente
e eu vou torcer, apoioar, gritar, querendo ver você voar
o mais alto que possas alcançar
é o desejo e a prece do seu pai afoito...

Amanhã...
Lívia faz dezoito

terça-feira, outubro 18, 2016

Não Perturbe


Não desanime os enamorados...
Não profira profecias de desencanto,
Não diga que vai acabar ou diminuir...

Deixe os corações baterem acelerados
Deixem os amantes cantarem seu canto
Há fogo, sempre em paixão a existir !

domingo, outubro 16, 2016

Queda

Do céu azul fui ao chão
asa partida e dor são
meios companheiros de agora
numa agonia que não vai embora.

É primavera sem flor
paixão floriu sem amor
inverno em meu coração
é o fim do sol no verão.

Sem graça,  não tem sorriso
impreciso ranger de dentes
ao som dos guizos que flutuam inutilmente
se é permanente essa dor, essa agonia
é imanente a tristeza nesse dia.

E continua essa dor dentro do peito
não sei direito em quem rumo eu estou
esvaziou um coração meio sem jeito
defeito, vazio e fumaça foi o que restou.

Do céu azul fui a chão
asa partida e dor são
meus companheiros na queda
na quebra de toda esperança

Criança em mim foi embora
agora é só escuridão que passa
e nem o álcool ou fumaça
me anestesiam

E continua essa dor dentro do peito
não sei direito como vou sobreviver
vou escrever tudo isso dese jeito
quem sabe um dia eu consiga entender.

Vidraça,
e uma pedrada
que estilhaça em mil pedaços
estou descalço recebendo cortes no chão
E o céu azul brilha acima indiferente
e continua o mundo em sua direção.

É queda...
que acaba...
no fim.

Dia Comprido

Hoje foi um dia comprido
Que acabou a meia-noite
Foi-se.