sexta-feira, agosto 21, 2020

Eu vou mudar

Eu vou mudar

Eu vou partir daqui

Pra outro lugar

Eu vou te esquecer e recomeçar

Tentar viver a vida sem você.


Eu vou mudar

Ser mais independente e respirar

E daqui pra frente procurar

Motivos para me fazer sorrir.


Me distrair

Buscar novos lugares para ir

E de uma vez por todas desistir

De ter alguma coisa com você.


Não é legal

Toda essa insistência só faz mal

Passei todos os limites do normal

Por isso é que eu tenho que mudar.


Eu vou mudar

Dessa vez para longe de mim mesmo

Largando aqui todo esse peso

Que está me impedindo de crescer...


Te digo adeus

Que sigas caminhando os passos teus

Que aches tudo aquilo que perdeu

Que também encontres o teu caminho


Sozinho

Eu vou mudar

Eu vou mudar

Eu vou mudar.

Não sei

Eu já nem mais sei o que pensar

Se devo desistir ou se devo tentar

A tua indiferença dói demais

E o silêncio entre nós dois

É tão difícil de suportar.


O fogo que queimava arrefeceu

Quem todo dia lembrava

Agora esqueceu.

Essa distância só faz aumentar

E o amor entre nós dois 

Não vai se realizar.


Queria eu poder lhe traduzir

O que carrego aqui dentro de mim

Queria eu poder lhe impedir

De ir embora pra depois

Nunca mais se despedir.


Eu não sei, eu não sei

Como eu vou te esquecer

Se também devo ir embora

Pois está na hora de perder...


Eu não sei, eu não sei

E eu nunca vou saber

Nem depois, e nem agora

O que houve com você.




quinta-feira, agosto 13, 2020

Olhos da alma

 O que os olhos não vêem

A alma não deseja.

Mas se os olhos já viram,

Tem jeito de desver ?

E se a alma já deseja

Tem jeito de esquecer ?


Atravessei um oceano

Levado pelo ledo engano

Que em distantes paragens

pudesse esquecer tua imagem

Fuji pra longe e os olhos fechei

E na verdade, só me enganei.


Você está aqui presente

Como fantasma em minha alma

Vagando permanentemente

Sem um corpo para eu abraçar


Ah... Os meus olhos não vêem

Mas não são com eles que te percebo

Não adianta dormir mais tarde

E nem tão pouco acordar mais cedo...

Nem encher o dia com coisas

Para me distrair e te esquecer...

Só me resta esperar tua presença

Com o tempo desvanecer...

Só me resta me apegar a esperança

Que a raiz da tua lembrança

Não adentra e não alcança

Camadas profundas da minha alma

Pois assim, com calma

Na lenta esteira do tempo

Há de chegar o momento,

Que esse angustiante sentimento

Há de ter o seu fim.


Ah... O que os olhos já viram

Todas fibras d'alma já sentiram

Fechar os olhos não mais adianta...

Então eu espero o tempo

Trazer certo esquecimento...

Para que possam meu olhos,

Para que possa minha alma,

Começar tudo...

Novamente.

terça-feira, agosto 11, 2020

Novamente

Eis-me aqui novamente,

sentado de frente

para o nada e o vazio

de coração frio

e de alma dormente.

 

Eis-me aqui novamente,

na estaca zero

sem saber se mais quero

dar passos em qualquer direção

parado e perdido,

calado e desiludido

buscando a escuridão.

 

Eis-me aqui novamente,

sem nenhuma esperança

imóvel feito criança

perdida na multidão.

E já não sou mais tão moço

para repetir o esforço

em nova ocasião.


Eis-me aqui novamente,

terrivelmente cansado

de voz totalmente calado

ouvindo minha respiração

que se faz bem lenta

nesse vazio, barulhenta

no ritmo da solidão.


Eis-me aqui novamente

sem forças nem pra tristeza

porque exige a destreza

de lágrimas de consolação.

Pois nada mais me consola

E nada mais me consome

Vazio, perdi meu nome

Exausto, deitei no chão.


Eis-me aqui novamente

mas dessa vez é diferente

eu sinto no fundo d'alma.

 

Dessa vez vim pra ficar

pois não vou mais tentar

não vou mais nem me esforçar 

vou deixar a vida passar

como se eu fosse um barco no mar

sem motor e sem velas

sem apreciar coisas belas

de olhos fechados para tudo.

Dessa vez eu vou permanecer

parado até desvanecer

na esteira implacável do tempo...

Dessa vez eu vou desistir

de lutar e de reagir,

dessa vez... eu vou sumir.


domingo, agosto 09, 2020

Ainda assim

Mesmo com a certeza que Deus,
Não deixa, nem desampara.
Ainda assim dói quando um dos seus
Deixa essa vida que não para.

Mesmo sabendo que ciclos
Tem seu começo e seu fim
Ainda assim o reinício
Dói um pouco em mim.

Mesmo sabendo que a fé
É a certeza que sustenta
Ainda assim quero dar no pé
Quando a dor se apresenta.

Mesmo sentindo o Cristo
Caminhando ao nosso lado
Ainda assim eu insisto
Em caminhos desviados.

Tudo é ida e volta
Tudo é recuo e avanço
Toda ideia proposta
É prática em descanso.

Mas... Ainda assim eu caminho
Ainda assim eu acredito
Ainda assim não vou sozinho
Ainda assim sou Expedito

Ainda assim eu creio
Em alguma transformação
Ainda assim eu permeio
Entre dor, angústia e aflição.

Porque não resta muita coisa
Que possamos empreender
Na vida da rua ou da lousa
A solução será sempre viver.