O que os olhos não vêem
A alma não deseja.
Mas se os olhos já viram,
Tem jeito de desver ?
E se a alma já deseja
Tem jeito de esquecer ?
Atravessei um oceano
Levado pelo ledo engano
Que em distantes paragens
pudesse esquecer tua imagem
Fuji pra longe e os olhos fechei
E na verdade, só me enganei.
Você está aqui presente
Como fantasma em minha alma
Vagando permanentemente
Sem um corpo para eu abraçar
Ah... Os meus olhos não vêem
Mas não são com eles que te percebo
Não adianta dormir mais tarde
E nem tão pouco acordar mais cedo...
Nem encher o dia com coisas
Para me distrair e te esquecer...
Só me resta esperar tua presença
Com o tempo desvanecer...
Só me resta me apegar a esperança
Que a raiz da tua lembrança
Não adentra e não alcança
Camadas profundas da minha alma
Pois assim, com calma
Na lenta esteira do tempo
Há de chegar o momento,
Que esse angustiante sentimento
Há de ter o seu fim.
Ah... O que os olhos já viram
Todas fibras d'alma já sentiram
Fechar os olhos não mais adianta...
Então eu espero o tempo
Trazer certo esquecimento...
Para que possam meu olhos,
Para que possa minha alma,
Começar tudo...
Novamente.

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