quinta-feira, agosto 13, 2020

Olhos da alma

 O que os olhos não vêem

A alma não deseja.

Mas se os olhos já viram,

Tem jeito de desver ?

E se a alma já deseja

Tem jeito de esquecer ?


Atravessei um oceano

Levado pelo ledo engano

Que em distantes paragens

pudesse esquecer tua imagem

Fuji pra longe e os olhos fechei

E na verdade, só me enganei.


Você está aqui presente

Como fantasma em minha alma

Vagando permanentemente

Sem um corpo para eu abraçar


Ah... Os meus olhos não vêem

Mas não são com eles que te percebo

Não adianta dormir mais tarde

E nem tão pouco acordar mais cedo...

Nem encher o dia com coisas

Para me distrair e te esquecer...

Só me resta esperar tua presença

Com o tempo desvanecer...

Só me resta me apegar a esperança

Que a raiz da tua lembrança

Não adentra e não alcança

Camadas profundas da minha alma

Pois assim, com calma

Na lenta esteira do tempo

Há de chegar o momento,

Que esse angustiante sentimento

Há de ter o seu fim.


Ah... O que os olhos já viram

Todas fibras d'alma já sentiram

Fechar os olhos não mais adianta...

Então eu espero o tempo

Trazer certo esquecimento...

Para que possam meu olhos,

Para que possa minha alma,

Começar tudo...

Novamente.

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