sexta-feira, setembro 24, 2021

Sobrevoando

Outro dia, olhando para a parede 

vi o contorno de um retrato antigo

Como se a memória arrastada em uma rede

Trouxesse pedaços que estavam escondidos.


Escondidos ali, bem perto do consciente 

Ainda preso em cogitações de um destino diferente 

Sozinho em divagações desse estado impermanente.


Queria eu ter controle da alma

E desenhar com calma cenários e cores

Mas não é assim que funciona

Nada se tem ou se toma. 

Nem alegrias,  nem dissabores.


Posses são ilusões que hipnotizam profundamente 

Amores são sensações que agradam a mente

Mas se um dia vier a epifania de que tudo é efemeridade

Como se eu pudesse sobrevoar o mundo, as cidades

Vendo todos a minha volta como personagens vazios

Suas falas e suas ações... irrelevantes desvarios.


Sobrevoando tudo e todos

Apartado da realidade convencional 

Pairando até sumir

Desse universo unidimensional 

Apagado da história,  do mundo, da existência 

Como se nenhuma causa houvesse me criado,

Terminando essa minha passagem 

Que nunca houvera começado. 









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