Outro dia, olhando para a parede
vi o contorno de um retrato antigo
Como se a memória arrastada em uma rede
Trouxesse pedaços que estavam escondidos.
Escondidos ali, bem perto do consciente
Ainda preso em cogitações de um destino diferente
Sozinho em divagações desse estado impermanente.
Queria eu ter controle da alma
E desenhar com calma cenários e cores
Mas não é assim que funciona
Nada se tem ou se toma.
Nem alegrias, nem dissabores.
Posses são ilusões que hipnotizam profundamente
Amores são sensações que agradam a mente
Mas se um dia vier a epifania de que tudo é efemeridade
Como se eu pudesse sobrevoar o mundo, as cidades
Vendo todos a minha volta como personagens vazios
Suas falas e suas ações... irrelevantes desvarios.
Sobrevoando tudo e todos
Apartado da realidade convencional
Pairando até sumir
Desse universo unidimensional
Apagado da história, do mundo, da existência
Como se nenhuma causa houvesse me criado,
Terminando essa minha passagem
Que nunca houvera começado.

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