sexta-feira, julho 31, 2020

Clubinho

Olha que legal
Eu entrei em um clubinho
Todo mundo pensa igual
E o mundo é bonitinho.

Somos todos defensores
Do que é direito e correto
E os injustos detratores
Não queremos por perto.

Praticamos a censura do bem
Para proteger a sociedade
E queremos ir além
Ser editores da humanidade.

Nós defendemos os fracos
Para o fraco permanecer
Esse ser obscuro e opaco
Que precisamos proteger.

Nós vigiamos o ódio
Que circula na internet
Porque nos parece óbvio
Que é isso que se pede.

Nosso clubinho é chique
Tem artistas e intelectuais,
Academias de grife
E influenciadores digitais.

E o que for contraditório
Deve ser eliminado
Pois somos um somatório
De seres iluminados.

Nós entendemos de tudo
Do obscuro à ciência,
Do lógico ao absurdo,
Do amoral e da decência.

Entre pro nosso clubinho
Seja mais um correto
Deixe o mundo mais bonitinho
Com decência, amor e afeto.

Em nosso faz de conta
De hipócrita humanista,
Tudo que você apronta
É do bem e progressista.

domingo, julho 19, 2020

Na carona do corona

Ave Maria !
Que agonia
Essa pandemia
E quem diria
Que duraria
Até agora !

Aff menina
É cloroquina,
Invermectina,
Com Tubaína
E passa flora.

É desespero,
Que quer dinheiro,
O tempo inteiro,
Interesseiro,
Não vai embora.

Cada um que queira,
Falar besteira,
Nessa esteira,
De brincadeira
Da série histórica.

Tem o jornal
Que fala mal,
E é nacional,
E o emocional,
Que só piora.

E tem o besta,
Raivosa vespa,
De sexta a sexta,
Que briga e chora.

O sabichão,
De opinião,
Que o isentão
Não ignora.

Oh ! Seu covid
Que me divide
Há quem duvide
Que a sua lide
Acabe uma hora.

De saco cheio
Que você veio
Aqui no meio
Do meu recreio
E se demora.

Tanto político
Paleolítico
Se faz de crítico
E te explora.

Tenho pra mim
Que o teu fim
Não é assim
Breve história.

Mas um dia tu passa
Não importa que faça
Toda essa pirraça
Um dia chega tua hora

Figueira Seca

Ah... Ele era um ser dos livros...
Na sua sala, na sua mala, em qualquer lugar...
Romances e ficções,
Instigantes imaginações,
Amores intensos, mistérios imensos...
Castelos e lutas,
Versos e sentimentos...

E o tempo inclemente,
Passava indiferente
A essa fome de informação,
De ficção, de inspiração...
E sua história, foi não ter história,
Nem glória, nem vergonha,
Nem uma boca risonha,
Nem amor, nem nada
Só uma página em branco...
Sem uma letra sequer... Apagada.

A imensa biblioteca
Onde viveu enfurnado
Foi também prisão
Onde foi acorrentado
Virou um imenso repositório
Lotado de sementes
Que nunca germinaram
Não alimentaram nenhuma gente.

Tanto conhecimento,
Tanta erudição,
Foram juntos para o túmulo
Sem nenhuma aplicação.

terça-feira, julho 07, 2020

DDM

Quem me dera vibrar em tua frequência
Quem me dera beijar a tua boca
Quem me dera fosse essa experiência
Uma paixão que emerge a toda força.

Tuas palavras são um doce encantamento
Que me fazem perder a noção das horas
Eu queria te prender por um momento
Em teu colo receber uma nova aurora.

Teu sorriso resgatou o romantismo
Que a muito eu julgava em mim, perdido
Sentimentos quase em malabarismo
Nessa angústia de estar e não estar contigo.

Como eu queria que esses versos traduzissem
A verdade,  límpida,  clara e objetiva
Mais que formas que os desejos assumissem 
Mais que sonho em liberdade criativa.

Que me dera poder vibrar em tua frequência
Te abraçar na cama logo cedo na manhã
Quem me dera me imiscuir em tua essência
Quem me dera ser muito além que um simples fã.

quarta-feira, julho 01, 2020

De passagem

Tão pouca coisa faz diferença.
Quase nada disso importa.
De longe eu sinto tanta descrença,
Que não quero nem mais abrir a porta.

Esse alarido, essa gritaria
Não serão nem eco
Daqui a quinhentos mil dias.

Aff

Cansei desse povo
Cansei de mim mesmo
Respondendo de novo.
Esse povo.

Vivendo em uma época de ouvidos moucos
Numa cacofonia de zumbidos loucos..

E o mundo ensina
Com o que se chama de castigo
E normalmente se declina
Os conselhos desse amigo.

Aff

Farto até o pescoço
Das figueiras de folhas pomposas
Que não produzem sequer caroço
E nem dão sombra amistosa.

Aff

Mas não vale nem a pena pegar o facão
Pra cortar essas inúteis
E queimá-las em pleno chão.

Tudo é tão chato
Tudo tão insuficiente
Sinto falta do sensato
Calado permanentemente.

Agora é isso
Depois não é mais
Esse chão movediço
Está sempre indo pra trás.

Aff, aff, aff

Tão pouca coisa faz diferença
Tão pouco, realmente importa.
Valores, rumores ou crenças
O jeito certo, a maneira torta.

Em algum momento dessa jornada
Eu perdi a minha condução
E agora, a pé, na estrada
Testemunho toda essa situação.

A alma cansa...
Essa é uma verdade
E a tal esperança
Morre de ansiedade...