sábado, dezembro 12, 2015
A tristeza
Não... a triteza é silenciosa, tranquila mesmo. Senta do nosso lado... ombro a ombro e se faz companheira. É tão compreensiva que nos deixa respirar, trabalhar e viver... fica assim a uma curta distância para não perturbar a nossa funcionalidade social.
Mas a noite... quando todos os ruídos cessam e todas as distrações vão embora... a triteza nos abraça com a força de uma paixão, paralizando os pensamentos e retardando as batidas do coração... Que bate assim quase falhando...
É assim a tristeza... Um dia ela vem... fica sei lá quanto tempo... e enquanto não acaba o infinito de sua duração vamos nos acostumando a viver com ela.
domingo, dezembro 06, 2015
Lá no canto da parede
terça-feira, outubro 13, 2015
Moinhos de Vento
Não temo mais o fim de um momento
Nesses giros tantos giros que a terra dá
Eu perdi a minha alma em algum lugar
No meu próprio escuro
Não tem mais perigo
Nem afirmo nem juro
Estou só comigo
Comigo, comigo, comigo
e mais ninguém...
Girando, girando perdido
sem mais ninguém.
Não tenho mais moinhos para atacar
Não tenho mais vontade para lutar
Mergulho no lago gelado ao lado
onde fecho os olhos para afundar.
Amanhece
E tudo recomeça
E o piloto automático do meu ser me leva.
sexta-feira, setembro 25, 2015
A taça
Eu tinha uma taça cristalina
Ficava no centro da casa
Linda menina.
Mas eu fui descuidado
Pura rotina.
Não percebi o perigo que andava
Pela surdina.
E a taça levou uma pancada
Tombou quebrada.
Era tão apegado
Que achava que um remendado
Poderia consertar.
Ah ! mas quando se é desajeitado
Há sempre um preço a pagar.
Nem o esforço mais perfeito
Fará eu esquecer o jeito
Que tudo tinha antes de quebrar.
E a taça assim remendada
Não pode ser mais usada
Como era antes de quebrar.
Pois sempre ficará a lembrança
E também a desconfiança
De que o remendo...
Não irá funcionar.
quinta-feira, setembro 24, 2015
A gente confia
Não podemos controlar o sentimento de ninguém...
A gente confia e caminha junto
Não temos garantias que vá da certo ou que vá durar.
A gente confia e se entrega.
E a vida avança...
E se edifica uma relação...
Em cada tijolo
Vai um tanto de entrega
Um bocado de renúncia
Mas a gente confia e constrói.
E a gente tanto confia
Que nem desconfia
Que possa chegar o dia
Da tempestade e do furacão.
E você assiste impotente
O fim de anos de repente
E descobre que confiou em vão.
Dói ver as paredes caindo
O teto ruindo
É seu mundo sem chão.
É ferro em brasa atravessando o peito
É não saber direito controlar a respiração.
E a gente confia
que quem sabe um dia
Toda essa agonia
Seja apagada da memória
Seja removida da história
Aliviando o coração...
Mas então sendo sincero
Mesmo sendo assim que quero
Nisso...
Não confio não.
domingo, março 01, 2015
Em tempo.
Em tempos de revolta, de indignação, de raiva e ódio entre irmãos...
Em tempos de disputa pelo poder temporal
Em tempos de líderes vociferando a receita do mal
Em tempos de especulação, em tempos de tempestade
Em tempos de injunção... em tempos de necessidade...
A não temer o mar, quando o mar se revoltou
Que se acalmem os corações, que se faça luz à razão
Que sejamos enfim cristãos, sem sofismas nem contradição.
Que se percorram as direções
Que rodem as rodas dos moinhos
Que o mundo navegue em boas condições.
quarta-feira, janeiro 21, 2015
O Imposto
Dedicado ao Anfíbio e a Cordata
Eu sou um cara normal
mas as vezes me sinto otário
por não poder afinal
aumentar o próprio salário.
O sheik barbudo chafurda
na lama que vem do pré-sal
protegido pela grande barracuda
que odeia o neoliberal
Mas se até mesmo Cuba
sucumbe ao capitalismo
que então o imposto suba
justificando todo esse cinismo !
A classe média que se exploda
pois já disse que não te quer
que o leão sedendo nos morda
mostrando a força dessa mulher.
Ninguém aguenta mais pagar
para a quadrilha da estrela vermelha
roubar, destruir e dilapidar
o ex-gigante que pequeno se espelha.
Impondo-se pelo medo da fome
pela benesse de ganhar sem retorno
pela angústia de um sonho que some
pela trapaça e pelo engodo.
Que o Brasil então seja forte
e encontre salvação e saídas
que quem possa então suporte
até que a estrela esteja de partida !
