Meus segredos, que são segredos...
Escondo até de mim mesmo.
Quase tudo nessa vida é efêmero
É de um gênero
Que não tem importância
É passageiro... Poder, dinheiro
E tudo que é fruto de tanta ganância.
Todo mundo um dia encontra a morte...
Feliz, com sorte
Ou então indiferente
Toda alegria ou sofrimento
Tem seu momento
De chegar e deixar a gente.
Eu não sei porque essa gente se debate
Como um peixe agonizante fora d'água
Pois na água sabe que não vai ficar
O mundo gira sempre ignorando
Os desejos de quem vive nesse lugar
Continua e segue então girando
No espaço navegando
Até um dia acabar
Não somos nem um grão de poeira
Na esteira do universo
Ou na rima desses versos
Que logo irão se acabar
Eu acho graça do poder
E dos poderosos,
Habitantes melindrosos
Desse circo de ilusões
E acho até graça de mim mesmo
Esse resto de torresmo
Que o garçom joga no lixo...
Menestrel da crítica sem alcance
Tem quem olhe, de relance
Sem querer se aprofundar...
A Rapunzel careca delirante
Escondida numa estante
Esperando tudo acabar.
É preciso conhecer a dor
Porque existirão dias de dor,
Existirão dias tristes
Com muitos tristes convites
Que você deverá recusar.
É preciso conhecer a euforia
Porque existirão dias de euforia
Existirá esse perfume de alegria
Que fará tolos convites
Que você não pode aceitar.
É preciso conhecer,
A escuridão, a luz
A mão que empurra,
A mão que conduz
É preciso conhecer
O medo e os segredos
A angústia e a astúcia
É preciso conhecer o amor
E o desejo
O calor de um beijo
A intensidade de uma paixão.
É preciso conhecer o silêncio
O nada e o abraço da solidão.
É preciso aproveitar cada instante que não volta
É preciso domar toda e qualquer revolta
Que abale a sua calma.
Mas eu não sei dizer
Como alcançar tudo isso
É um grande, enorme misto
Que vem salpicado na vida.
Mas quando estou aturdido,
Ou completamente perdido
Mergulhado no meu eu
Só quem me escuta e dá ouvidos
É Deus
Todo mundo na vida
Pode ter uma fase idealista
Mas quando esta vai sendo vivida
Necessário se faz ser realista.
O horizonte vai estar sempre a frente
Convidando-nos a caminhar
Mas pra colher frutos tem que se plantar a semente.
E ter todo o trabalho de cultivar.
É preciso perder a ingenuidade
De achar que existem gratuidades
É preciso entender que verdade
É o exercício de contextualizar.
É preciso ter auto censura
É necessário não se achar
O detentor da razão
É preciso não rotular
É necessário deixar de repetir
É urgente fazer força para pensar...
Frases de impacto
Versículos aleatórios
E coisa de cara chato
De boneco de auditório...
De falta de raciocínio
De medo do contraditório
De puro e total declínio
De um pensamento simplório.
Todo mundo tem o direito
De ter sua fase idealista
De ser apaixonado e tolo
De ser imbecil futurista
De achar as soluções
Para todos os problemas da sociedade
De achar que o belo e o bom
Está no seu pensar de pura bondade...
E essa fase passa
Porque a vida anda
E se descobre muitas das farsas
Escondidas nessa ciranda...
Descobre-se que o ser humano
É egoísta e sem empatia...
Ah ! Mas existem excessões !!
Existem... São a minoria...
Descobre-se que nada é perfeito
Que muita coisa dá errado
E que só se acha defeito
No que está do outro lado.
Ah... Você é pessimista !
Dizem os críticos ao meu lado
Eu sou mais probabilista
Pois já tenho muitos dados
Pra identificar os hipócritas
E os que sonham acordados
E os que ficam comendo pipocas
Olhando tudo calados
E os que se vestem de cordeiro
Sendo lobos camuflados...
Também já fui idealista ...
Também quiz a justiça social
Hoje sou probabilista
Hoje sou mais racional
Sei que o caminho é longo
E que as vezes dá desalento
Mas o mundo que devo mudar
É o meu mundo por dentro
E pra tudo que eu falar
Eu devo dar o exemplo
Aprendi a não julgar
E também a não ser isento
Sei que para transformar
Todo processo tem seu tempo.
Os ideais no coração
Os princípios na alma
Mas para uma firme condução
Praticidade e calma
Entender que abaixo do sol
Todos tem aqui sua história
Sejam espíritos de escol
Sejam a ralé da escória
Sejam os milhões entre os dois
Numa escala notória...
Ah... Todos tem o direito
A uma fase idealista...
Mas digo com todo o respeito
Nessa fase pouco se conquista
Nessa fase pouco se aprende
Nessa fase todo pejorativo termina em ista
Nessa fase o mundo é alpendre
Do falso moralista...
Que seja sincero
O seu idealismo
Que seja sem ódios
O seu despertar
Que seja suave
A sua transição
Que seja de crescimento
O seu caminhar.
A solidão escava o fundo da alma.
Buscando alguma boa lembrança.
Retorna suja e com estranha calma.
Trazendo nos braços, já morta, a esperança.
Espera coração
Ah! coração não deixa esse fogo acender
Nem plante nenhuma esperança
Que você não irá colher!
Ah! coração! sufoca o desejo de agora
Que a angústia no peito dissipa
E logo, logo ela vai embora.
Ah coração! Eu sei que é difícil olhar
essas cores dançando em aromas
E a gente não desejar...
Ah! coração! o seu tempo de se apaixonar
Passou, e foi bom, você sabe !
Também sabe que não vai voltar.
Ah! coração! assiste a cigana dançar
Sua saia girando com a vida,
E os cabelos dançando no ar !
Vai coração! para longe, pra outro lugar
Escuta a esse teu amigo
Que deseja te preservar !
Vai coração, espera que o amor vai chegar
Quietinho, quentinho, vivido
Sem jeito de te magoar !
Ah! coração... espera o dia chegar
Que eu estarei aí contigo
E juntos vamos festejar !
Ah! se os desejos cessassem
se as expectativas não surgissem
se os sonhos estancassem
se as esperanças sumissem.
Ah se a maturidade ignorasse
todas as paisagens que viu
e se o espírito não esperasse
reviver o que outrora sentiu.
Eu poderia seguir quieto
sem rumores nem expectativas
e você mesmo estando perto
não agitaria tanto a minha vida.
Fogo que acende e apaga
a cada gesto, a cada palavra.
Calor que agride e afaga
que não nega, mas não destrava.
Desisti e voltei tantas vezes
nem sei mais o que é hesitação
Me perdi nas horas, dias e meses
nem sei mais qual é a estação.
Será que tudo isso adianta ?
Será que tudo isso é certo ?
Melhor não seria parar com essa dança ?
Melhor não seria parar e sair de perto ?
Eu não sei
Confesso que cansei
Então vou ter que decidir
Se mergulho novamente
Ou se está na hora de partir.
Um dia,
Eu encontro um canto,
Pra parar e sentar...
E também apreciar
a vida.
Um dia,
Eu encontro alguém,
Pra parar e acalmar
E também me acompanhar
Na ida.
Um dia,
Vou parar de correr
E antes de morrer
Vou dormir de preguiça
E escutar a dobradiça
Da porta velha
Da fazenda
Um dia
Vou tomar café de bule
Na venda
Conversar sobre nada importante...
Ah... Mais adiante... Um dia...
Um dia eu vou sim.
Quando...
teu coração doer,
e teu sofrer,
te fazer,
se sentir,
sem saber,
onde ir,
ou então,
sem saber,
o que fazer,
Quando...
a sensação,
de impotência,
te tomar,
te fizer,
paralizar,
te tirar
do teu prumo,
te fazer,
perder o rumo,
com vontade,
de chorar...
Chore !
rogue a Deus,
por assitência,
abra tua alma,
tua existência,
peça a Deus...
pelo Melhor.
Sinta o amparo,
a clemência,
o amor,
a consciência,
que vieram,
te encontar !
Creia !
com a força,
do teu ser,
que teu pedido,
vai ascender,
e chegar
ao criador !
Saiba !
que tem Deus,
esse poder,
de saber,
o que fazer,
de aliviar,
a tua dor !
Eu vou mudar
Eu vou partir daqui
Pra outro lugar
Eu vou te esquecer e recomeçar
Tentar viver a vida sem você.
Eu vou mudar
Ser mais independente e respirar
E daqui pra frente procurar
Motivos para me fazer sorrir.
Me distrair
Buscar novos lugares para ir
E de uma vez por todas desistir
De ter alguma coisa com você.
Não é legal
Toda essa insistência só faz mal
Passei todos os limites do normal
Por isso é que eu tenho que mudar.
Eu vou mudar
Dessa vez para longe de mim mesmo
Largando aqui todo esse peso
Que está me impedindo de crescer...
Te digo adeus
Que sigas caminhando os passos teus
Que aches tudo aquilo que perdeu
Que também encontres o teu caminho
Sozinho
Eu vou mudar
Eu vou mudar
Eu vou mudar.
Eu já nem mais sei o que pensar
Se devo desistir ou se devo tentar
A tua indiferença dói demais
E o silêncio entre nós dois
É tão difícil de suportar.
O fogo que queimava arrefeceu
Quem todo dia lembrava
Agora esqueceu.
Essa distância só faz aumentar
E o amor entre nós dois
Não vai se realizar.
Queria eu poder lhe traduzir
O que carrego aqui dentro de mim
Queria eu poder lhe impedir
De ir embora pra depois
Nunca mais se despedir.
Eu não sei, eu não sei
Como eu vou te esquecer
Se também devo ir embora
Pois está na hora de perder...
Eu não sei, eu não sei
E eu nunca vou saber
Nem depois, e nem agora
O que houve com você.
O que os olhos não vêem
A alma não deseja.
Mas se os olhos já viram,
Tem jeito de desver ?
E se a alma já deseja
Tem jeito de esquecer ?
Atravessei um oceano
Levado pelo ledo engano
Que em distantes paragens
pudesse esquecer tua imagem
Fuji pra longe e os olhos fechei
E na verdade, só me enganei.
Você está aqui presente
Como fantasma em minha alma
Vagando permanentemente
Sem um corpo para eu abraçar
Ah... Os meus olhos não vêem
Mas não são com eles que te percebo
Não adianta dormir mais tarde
E nem tão pouco acordar mais cedo...
Nem encher o dia com coisas
Para me distrair e te esquecer...
Só me resta esperar tua presença
Com o tempo desvanecer...
Só me resta me apegar a esperança
Que a raiz da tua lembrança
Não adentra e não alcança
Camadas profundas da minha alma
Pois assim, com calma
Na lenta esteira do tempo
Há de chegar o momento,
Que esse angustiante sentimento
Há de ter o seu fim.
Ah... O que os olhos já viram
Todas fibras d'alma já sentiram
Fechar os olhos não mais adianta...
Então eu espero o tempo
Trazer certo esquecimento...
Para que possam meu olhos,
Para que possa minha alma,
Começar tudo...
Novamente.
Eis-me aqui novamente,
sentado de frente
para o nada e o vazio
de coração frio
e de alma dormente.
Eis-me aqui novamente,
na estaca zero
sem saber se mais quero
dar passos em qualquer direção
parado e perdido,
calado e desiludido
buscando a escuridão.
Eis-me aqui novamente,
sem nenhuma esperança
imóvel feito criança
perdida na multidão.
E já não sou mais tão moço
para repetir o esforço
em nova ocasião.
Eis-me aqui novamente,
terrivelmente cansado
de voz totalmente calado
ouvindo minha respiração
que se faz bem lenta
nesse vazio, barulhenta
no ritmo da solidão.
Eis-me aqui novamente
sem forças nem pra tristeza
porque exige a destreza
de lágrimas de consolação.
Pois nada mais me consola
E nada mais me consome
Vazio, perdi meu nome
Exausto, deitei no chão.
Eis-me aqui novamente
mas dessa vez é diferente
eu sinto no fundo d'alma.
Dessa vez vim pra ficar
pois não vou mais tentar
não vou mais nem me esforçar
vou deixar a vida passar
como se eu fosse um barco no mar
sem motor e sem velas
sem apreciar coisas belas
de olhos fechados para tudo.
Dessa vez eu vou permanecer
parado até desvanecer
na esteira implacável do tempo...
Dessa vez eu vou desistir
de lutar e de reagir,
dessa vez... eu vou sumir.